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terça-feira, 22 de maio de 2012


Acordo Ortográfico
As alterações introduzidas pelo AO de 1990 nas palavras usadas pelos portugueses ainda provocam dúvidas e alguns dissabores. Tão habituados a escrever a nossa língua sempre da mesma maneira, dizemos que já não somos capazes de aprender a fazê-lo de uma maneira diferente.
Como professora, tenho-me esforçado por conhecer e cumprir as novas regras da escrita e motivado os meus alunos a fazê-lo também. Os alunos não têm estranhado estas alterações e, de certo modo, há hífens que desaparecem com facilidade e consoantes que, não se lendo, têm “caído” com uma naturalidade arrepiantes.
A letra minúscula nos meses e estações do ano veio ao encontro das suas vontades, parecendo que sempre foi obrigatório.
Querendo certificar-me de que algumas das novas regras foram interiorizadas, apresentei-lhes um texto com duas versões diferentes; a primeira versão cumprindo as regras ortográficas anteriores ao AO e a segunda respeitando as novas disposições ortográficas.
Nem todas as regras entrarão com facilidade e, certamente, as exceções serão exageradas. Mas de uma coisa tenho a certeza, não tiveram dúvidas em escolher a ortografia correta quando lhes foram apresentadas as seguintes opções :

Janeiro/janeiro; mini-saia/minissaia; vêem/veem; actividades/atividades;
extra-curriculares/extracurriculares; fim-de-semana/fim de semana;
objectivo/objetivo; há-de/há de

E pronto! Quais vantagens ou desvantagens para as novas gerações?
A formanda, Maria do Carmo Costa Cavaleiro

terça-feira, 13 de março de 2012

Uma opinião interessante...

O desacordo ortográfico
Por Luís Menezes Leitão, publicado em 13 Mar 2012
Nenhuma das grandes línguas mundiais necessitou até agora de um acordo ortográfico. Em Portugal, no entanto, houve a obstinação de tentar introduzir à força uma reforma ortográfica que não é consensual, antes mesmo de ela ser aceite por todos os Estados lusófonos.
O resultado foi, não apenas a multiplicação de variantes ortográficas nos vários países, como também o surgimento de grafias múltiplas em Portugal, com vários meios de comunicação social a adoptarem o acordo e outros a rejeitá-lo. E mesmo em cada meio de comunicação social surgem vozes divergentes que proclamam orgulhosamente adoptar uma grafia diferente. Se se queria unificar a ortografia, o que se criou antes foi divisão e confusão, sendo previsível que dentro de pouco tempo ninguém saiba a forma correcta de escrever português.
A pretexto de seguir a pronúncia, o acordo criou uma língua de laboratório que pode agradar ao experimentalismo dos linguistas, mas que abstrai das raízes históricas das palavras e, por isso, empobrece a língua. O resultado é que se multiplicam as palavras homógrafas, levando a que palavras diferentes sejam confundidas e se admitam inúmeras variantes de escrita, consoante a pronúncia de cada um. Perante este resultado, era mais que altura de arrepiar caminho.
Abandone-se de vez o “acordês” e voltemos todos a escrever em bom português.

Anunciação

sábado, 10 de março de 2012

Dúvidas...

Coexistência de duas grafias – entre a norma luso-africana  e norma brasileira



CC, CÇ, CT
Norma lusoafricana – facto, contactar, olfacto...

Norma brasileira      - fato,   contatar,   olfato...

PC, PÇ, PT
Norma lusoafricana- conceção, contraceção, contracetivo, corrupção, deceção, receção…

Norma brasileira     - concepção, contracepção, contracepção, corrução, decepção, recepção...


Em caso de dúvida consultamos o texto original do AO no Portal da Língua Portuguesa


Ver
BASE IV: DAS SEQUÊNCIAS CONSONÂNTICAS [...]






sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Uns a favor, outros contra...

“Um cê a mais…”

“Quando eu escrevo a palavra ação, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o c na pretensão de me ensinar a nova grafia. De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa.
Custa despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim. São muitos anos de convívio. Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes cês e pês me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância.
Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: não te esqueças de mim! Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí. E agora as palavras já nem parecem as mesmas…
O que é ser proativo? Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.
Depois há os intrusos, sobretudo o erre, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato. Caíram hifenes e entraram erres que andavam errantes. É uma união de facto, para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família.
Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem.
Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os és passaram a ser gémeos, nenhum usa chapéu.
E os meses perderam importância e dignidade, não havia motivo para terem privilégios, janeiro, fevereiro, março são tão importantes como peixe, flor, avião. Não sei se estou a ser suscetível, mas sem p algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.
As palavras transformam-nos. Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos. Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do cê não me faça perder a direção, nem me fracione, nem quero tropeçar em algum objeto abjeto.
Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um cê a atrapalhar…”

Manuel Halpern